BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO: Arboviroses Urbanas no Estado de São Paulo

Autores

Divisão de Dengue, Chikungunya e Zika / CVE / CCD / SES-SP

Unidade de Inteligência e Vigilância em Saúde / SES-SP

Data de Publicação

16 de fevereiro de 2026

Introdução

As arboviroses urbanas — especificamente dengue, chikungunya e Zika — são doenças infecciosas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, observadas com maior frequência em regiões de clima tropical e subtropical. Com significativas implicações à saúde pública tanto em escala nacional quanto no contexto específico do Estado de São Paulo (ESP), tais doenças apresentam-se como um desafio contínuo.

Este boletim descreve os dados relativos às notificações das arboviroses urbanas no ESP, registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) — SINAN Online para dengue e chikungunya, e SINAN Net para Zika — no período compreendido entre a Semana Epidemiológica (SE) 1 e a SE 6 (04/01/2026 a 14/02/2026), referentes ao ano de 2026, com o objetivo de fornecer um panorama atualizado das arboviroses urbanas no ESP. Serão disponibilizados os números de casos notificados, confirmados e sob investigação; a distribuição espacial dos coeficientes de incidência, dos óbitos e dos sorotipos identificados por Região de Saúde (RS); além da distribuição dos casos e óbitos confirmados segundo faixa etária e sexo, sinais/sintomas e condições pré-existentes. Adicionalmente, serão apresentados o diagrama de controle para dengue e a curva epidemiológica por SE para cada um dos agravos. Dados provisórios e sujeitos à atualização (atualizado em 16/02/2026).

Informações sobre o Manejo Clínico das Arboviroses – 2025, o Plano Estadual de Contingência das Arboviroses Urbanas – 2025/2026 e as Diretrizes para a Prevenção e Controle das Arboviroses Urbanas no Estado de São Paulo 2025 podem ser consultadas nos links e estão disponíveis na página do Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE/CCD/SESP-SP).



Dengue

De 04 de janeiro de 2026 até 14 de fevereiro de 2026 (SE 6), foram notificados 56.933 casos de dengue no SINAN, residentes em 593 municípios do ESP. Do total de casos notificados em 2026, 7.145 foram confirmados, sendo 6.976 (97,63%) classificados como dengue, 150 (2,10%) como dengue com sinais de alarme e 19 (0,27%) como dengue grave, com média de 170 confirmações diárias e incidência acumulada de 16 casos por 100.000 habitantes no período. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas (SE 3 a 6), período que vai de 18 de janeiro a 14 de fevereiro de 2026, foram confirmados 4.012 casos em 303 municípios.


Resumo de Casos e Óbitos de 2026


Em comparação ao mesmo período (SE 1 a 6) do ano de 2025, observou-se redução de 82,4% do número de notificações, redução de 95,8% das confirmações e redução de 98,9% dos óbitos por dengue (Tabela 1).


Tabela 1

Número de casos notificados, confirmados e óbitos por dengue, SE 1 a 6, 2025 e 2026, estado de São Paulo

Fonte: SINAN (atualizado em 16/02/2026)

Incidência


Até o momento, o pico de incidência de casos prováveis de dengue (confirmados + em investigação) ocorreu na SE 5, mais precocemente em relação ao padrão histórico e abaixo da mediana estimada pelo diagrama de controle (Figura 1). Como a entrada dos dados no SINAN pode ser afetada pelo tempo até sua digitação e pelo intervalo entre o início dos sintomas e a busca por serviços de saúde, a incidência das semanas epidemiológicas mais recentes deve ser interpretada com cautela.



Figura 1

Diagrama de controle de casos prováveis de dengue — SE 1 a 6 de 2026, Estado de São Paulo

Distribuição territorial do estado de SP


As incidências acumuladas de casos confirmados de dengue em 2026 mais elevadas foram observadas nas RS PONTAL DO PARANAPANEMA, ALTA PAULISTA, DOS CONSÓRCIOS DO DRS II, e CENTRAL DO DRS II. As RS com maior número de óbitos foram SÃO JOSÉ DO RIO PRETO e ALTO VALE DO PARAÍBA. O coeficiente de incidência (casos × 100.000 habitantes), o número de casos e o número de óbitos por RS podem ser consultados nas Figuras 2 e 3 ao clicar na região de interesse.


Figura 2

Coeficiente de incidência de casos confirmados de dengue (casos × 100.000 habitantes) segundo RS de residência, estado de São Paulo, 2026


Figura 3

Óbitos confirmados de dengue segundo RS de residência, estado de São Paulo, 2026


Análise de áreas quentes


Análises de áreas quentes, também chamadas de indicadores de autocorrelação espacial, são utilizadas para identificar regiões com alta incidência de eventos, como de casos prováveis de dengue, por meio de métodos estatísticos. A estatística Gi* de Getis avalia se um município e seus municípios vizinhos apresentam níveis significativamente elevados de incidência de casos prováveis dengue em comparação com a média geral do espaço geográfico em estudo, no caso, o ESP, conforme Figura 4.


Figura 4

Áreas quentes de dengue segundo município de residência (incidência de casos prováveis), estado de São Paulo, 2026



Características sociodemográficas


A faixa etária mais afetada pelos casos de dengue no estado de São Paulo foi a de 20 - 34 anos, com 33,2% dos casos registrados. Em seguida, destacaram-se as faixas etárias de 35 - 49 anos, com 23,3% dos casos, e de 50 - 64 anos, com 13,2% dos casos. A mediana de idade foi de 32 anos (IQR: 21–47). Quanto ao sexo de nascimento, 53,4% dos casos eram mulheres e 46,6% homens (Tabela 2), com detalhamento da distribuição etária por sexo na Figura 6. A raça/cor branca correspondeu a 63,2% dos casos e negra a 35,2% dos casos.


Tabela 2

Casos confirmados de dengue, segundo características sociodemográficas, estado de São Paulo, 2026

N = 7.137
n (%)
Idade, mediana (IQR) — anos 32 (21, 47)
Faixa etária
1 - 4 258 ( 3,6%)
5 - 9 320 ( 4,5%)
10 - 14 424 ( 5,9%)
15 - 19 574 ( 8,0%)
20 - 34 2.368 (33,2%)
35 - 49 1.664 (23,3%)
50 - 64 941 (13,2%)
65 - 79 477 ( 6,7%)
> 80 111 ( 1,6%)
Sexo
Feminino 3.811 (53,4%)
Masculino 3.330 (46,6%)
Mediana (IQR); n (%). Fonte: SINAN, 16/02/2026


Figura 6

Casos confirmados de dengue, segundo características sociodemográficas, estado de São Paulo, 2026

Fonte: SINAN (atualizado em 16/02/2026)



Sintomas


Os sinais e sintomas mais frequentes entre os casos confirmados de dengue foram, respectivamente, febre, cefaleia, mialgia, náusea, e vômito (Figura 7).


Figura 7

Sintomas apresentados pelos casos confirmados de dengue, estado de São Paulo, 2026

Fonte: SINAN (atualizado em 16/02/2026)



Chikungunya

De 04 de janeiro de 2026 até 14 de fevereiro de 2026 (SE 6), foram notificados 952 casos de chikungunya no SINAN, residentes em 125 municípios do ESP. Do total de casos notificados em 2026, 130 foram confirmados como chikungunya, com média de 4 confirmações diárias e incidência acumulada de 0,3 casos por 100.000 habitantes no período. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas (SE 3 a 6), período que vai de 18 de janeiro a 14 de fevereiro de 2026, foram confirmados 46 casos em 17 municípios.


Resumo de Casos e Óbitos de 2026

Em comparação ao mesmo período (SE 1 a 6) do ano de 2025, observou-se redução de 88,8% do número de notificações, redução de 96,1% das confirmações e redução de 100,0% dos óbitos por chikungunya (Tabela 3).


Tabela 3

Número de casos notificados, confirmados e óbitos por chikungunya, SE 1 a 6, 2025 e 2026, estado de São Paulo

Fonte: SINAN (atualizado em 16/02/2026 )

Incidência

Até o momento, o pico de incidência de casos prováveis de chikungunya (confirmados + em investigação) ocorreu na SE 1, mais precocemente em relação ao padrão histórico e abaixo da mediana estimada pelo diagrama de controle (Figura 10). Como a entrada dos dados no SINAN pode ser afetada pelo tempo até sua digitação e pelo intervalo entre o início dos sintomas e a busca por serviços de saúde, a incidência das semanas epidemiológicas mais recentes deve ser interpretada com cautela.


Figura 10

Diagrama de controle de casos prováveis de chikungunya - SE 1 a 6 de 2026, Estado de São Paulo

Distribuição territorial do estado de SP

As incidências acumuladas de casos confirmados de chikungunya em 2026 mais elevadas foram observadas nas RS LITORAL NORTE e CENTRAL DO DRS II. As RS com maior número de óbitos foram 0. O coeficiente de incidência (casos × 100.000 habitantes), o número de casos e o número de óbitos por RS podem ser consultados na Figura 11.


Figura 11

Coeficiente de incidência de casos confirmados de chikungunya (casos × 100.000 habitantes) segundo RS de residência, estado de São Paulo, 2026


Características sociodemográficas

A faixa etária mais afetada pelos casos de chikungunya no ESP foi a de 20 - 34 anos, com 32% dos casos registrados. Em seguida, destacaram-se as faixas de 50 - 64 anos (17%) e 35 - 49 anos (15%). A mediana de idade foi de 32 anos (IQR: 20-52). Quanto ao sexo, 64% dos casos eram mulheres e 36% homens (Tabela 4), com detalhamento por faixa etária na Figura 12. A raça/cor branca respondeu por 63% dos casos e a raça/cor negra por 35%.


Tabela 4

Casos confirmados de chikungunya, segundo características sociodemográficas, estado de São Paulo, 2026

N = 130
n (%)
Idade, mediana (IQR) — anos 32 (20, 52)
Faixa etária
< 1 2 ( 1,5%)
1 - 4 9 ( 6,9%)
5 - 9 3 ( 2,3%)
10 - 14 8 ( 6,2%)
15 - 19 10 ( 7,7%)
20 - 34 42 (32,3%)
35 - 49 20 (15,4%)
50 - 64 22 (16,9%)
65 - 79 11 ( 8,5%)
> 80 3 ( 2,3%)
Sexo
Feminino 83 (63,8%)
Masculino 47 (36,2%)
Mediana (IQR); n (%). Fonte: SINAN, 16/02/2026


Figura 12

Casos confirmados de chikungunya, segundo características sociodemográficas, estado de São Paulo, 2026

Fonte: SINAN (atualizado em 16/02/2026)

Sintomas

Os sinais e sintomas mais frequentes entre os casos confirmados de chikungunya foram mialgia, febre, cefaleia, nausea, e artralgia (Figura 13).


Figura 13

Sintomas apresentados pelos casos confirmados de chikungunya, estado de São Paulo, 2026

Fonte: SINAN (atualizado em 16/02/2026)

Zika

De 04 de janeiro de 2026 até 14 de fevereiro (SE 6), foram notificados 12 casos de Zika no SINAN, residentes em 4 municípios do ESP. Do total de casos notificados em 2026, 0 foram confirmados.


Resumo de Casos e Óbitos de 2026


Em comparação ao mesmo período (SE 1 a 6) do ano de 2025, observou-se redução do número de notificações e redução das confirmações na população geral (Tabela 5). Entre gestantes, houve redução das notificações e redução das confirmações, com 0 casos confirmados em 2026 (Tabela 6). O ESP permaneceu sem ocorrência de óbitos por Zika.


Tabela 5

Número de casos notificados, confirmados e óbitos por Zika na população geral, SE 1 a 6, 2025 e 2026, estado de São Paulo

Fonte: SINAN (atualizado em 16/02/2026)


Tabela 6

Número de casos notificados, confirmados e óbitos por Zika entre gestantes, SE 1 a 6, 2025 e 2026, estado de São Paulo

Fonte: SINAN (atualizado em 16/02/2026)



Distribuição territorial do estado de SP


Os mapas a seguir apresentam o número acumulado de casos de Zika em 2026, por município de residência, na população geral (Figura 16) e entre gestantes (Figura 17). As cores distinguem casos confirmados (azul escuro), casos em investigação (azul claro) e sem casos (cinza claro). Como a circulação de Zika é baixa, é esperado que muitos municípios permaneçam sem confirmação ao longo do ano. Ao clicar sobre cada município, visualiza-se o número de casos confirmados e em investigação e a Região de Saúde (RS) correspondente.




Figura 16

Municípios com casos confirmados e em investigação de Zika na população geral, estado de São Paulo, 2026


Figura 17

Municípios com casos confirmados e em investigação de Zika na população de gestantes, estado de São Paulo, 2026



Dica

Coeficiente de incidência
Medida de casos novos confirmados da arbovirose (dengue, chikungunya ou Zika) no período, por 100.000 habitantes.
Fórmula:
\[\text{Incidência}=\frac{\text{casos confirmados no período}}{\text{população residente}}\times 100{,}000\]
Denominador: população residente estimada (por exemplo, projeções do IBGE). Nos mapas, utiliza-se o total por RS ou município de residência, quando aplicável.

Dica

Taxa de letalidade
Proporção de óbitos entre os casos confirmados da doença analisada (dengue, chikungunya ou Zika).
Fórmula:
\[\text{Letalidade}~(\%)=\frac{\text{óbitos}}{\text{casos confirmados}}\times 100\]