SUCEN - Superintendência de Controle de Endemias

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Vetores

Vetores 

Os vetores implicados na transmissão das leishmanioses são insetos denominados flebotomíneos, sendo conhecidos dois gêneros: Lutzomyia, presente no Novo Mundo e Phlebotomus, que ocorre no Velho Mundo. 
Atualmente, existem aproximadamente 1.000 espécies de flebotomíneos descritos no mundo, sendo que cerca de 530 são encontradas na região Neotropical, e destas, aproximadamente 60 espécies são comprovadamente veiculadoras dos diferentes patógenos das leishmanioses nas regiões sul e central da América. 
No Brasil, duas espécies, até o momento, estão relacionadas com a transmissão da LV, Lutzomyia longipalpis e Lutzomyia cruzi.  A espécie, Lutzomyia longipalpis tem caráter oportunista, comportamento antropofílico e hábito alimentar eclético, características estas que favorecem a transmissão de patógenos, como a Leishmania infantum. Este vetor apresenta um alto grau de adaptação em ambientes modificados, sendo encontrado tanto no intradomicílio quanto no peridomicílio. Já foi detectado em todas as 21 regiões do Brasil, ocorrendo em áreas urbanas e/ou rurais, procurando fonte de alimento mais próximo ao seu criadouro e comumente associada com abrigos de animais domésticos. 
Na década de 1970, foi registrada a primeira ocorrência do vetor desta parasitose, Lutzomyia longipalpis, na Serra da Mantiqueira, região leste do Estado de São Paulo (ESP). Posteriormente, em 1997, no município de Araçatuba, região Oeste do ESP foi relatada a presença deste flebotomíneo. Anteriormente a esse período os casos de leishmanioses humana e canina registrados no ESP eram considerados “importados” de outros estados brasileiros, como os da região Norte, Nordeste e Centro Oeste, que influenciavam de maneira significativa as estatísticas da LV no Brasil.
Até o momento, o ESP por meio de um check list dos exemplares catalogados apresenta um total de 14 gêneros registrados, com 69 espécies de flebotomíneos.
Em considerações sobre a Classificação dos municípios quanto a presença dos vetores  da LV no ESP, a partir do ano de 2019 foram considerados além principal espécie de Lutzomyia longipalpis (Lu longipalpis) para Classificação dos municípios, a participação secundária de outros vetores na transmissão da LVH/LVC de acordo com orientações do MS e da análise da evolução de cenários epidemiológicos sobre a transmissão da doença no ESP. 
A presença de Lu longipalpis foi assinalada em 203 municípios paulistas até o ano de 2019, sendo que 154 destes apresentaram alguma modalidade de transmissão de LVH/LVC ou ambas. O vetor Lu longipalpis foi observado em todos os 101 municípios com transmissão canina e humana, em dois, dos quatro municípios com transmissão humana e em 51, dos 54 municípios com transmissão canina. A circulação de Leishmania infantum, portanto, ainda não foi observada em 49 municípios que foram classificados como Silenciosos Receptivos Vulneráveis, ou seja, aqueles com presença do vetor primário e sem notificação de casos humanos e/ou caninos autóctones.


Distribuição de municípios com presença de Lu longipalpis, P fischer, M migonei e N intermedia, Estado de São Paulo,2019.

 


A vigilância entomológica sistemática foi realizada nos municípios que configuraram maior probabilidade de circulação de fontes de infecção e sem o vetor, classificados como Silenciosos Não Receptivos Vulneráveis. 
Para estes, foi preconizada a atividade de Levantamento Entomológico, realizada pelos Serviços Regionais da Sucen, que teve como objetivo detectar a espécie do vetor, expressando indicador de receptividade à transmissão da LVH/LVC e apontando às Secretarias Municipais de Saúde a importância de incrementar as ações preventivas e de controle do vetor. 
Atualmente, 245 municípios estão classificados neste agrupamento. A participação de vetores secundários foi considerada a partir de estudos em duas regiões geográficas delimitadas pelo IBGE como Regiões Geográficas Intermediárias.
 As considerações sobre a participação secundária de vetores para transmissão de LVH/LVC só foram realizadas para estas duas regiões: a região Intermediária de São Paulo e Região Intermediária de São José dos Campos, que juntas, somaram 89 municípios ou 13,8% (89/645) do total de municípios do ESP. 
As regiões Intermediárias são divididas ainda pelo IBGE em Regiões Geográficas Imediatas: 
•    A Região Intermediária de São Paulo foi constituída pelas Regiões Imediatas de São Paulo com 39 municípios e de Santos com 11 municípios. 
•    A Região Intermediária de São José dos Campos foi constituída pelas Regiões Imediatas de São José dos Campos com 8 municípios, Taubaté, Pindamonhangaba com 10 municípios, Caraguatatuba-Ubatuba-São Sebastião com 4 municípios, Guaratinguetá com 8 municípios e Cruzeiro com 9 municípios. 
•    Na Região Intermediária e Imediata de São Paulo compareceram predominantemente as espécies P. fischeri e M. migonei enquanto a de Santos predominou N. intermedia. Na Região Intermediária de São José dos Campos e Região Imediata de Caraguatatuba, Ubatuba-São Sebastião predominou a espécie N. intermedia. Os Quadros 2 e 3 revelaram a participação destas espécies na receptividade e na transmissão de LVH/LVC.
Considerando todos os critérios adotados para classificação dos municípios de acordo com o PVCLV, em que são agregadas informações da ocorrência ou não de casos de LV (humanos e/ou caninos), distribuição dos vetores e da avaliação da vulnerabilidade dos municípios do estado de São Paulo a situação atual podemos conferir no Mapa abaixo. 
 

Classificação epidemiológica da Leishmaniose Visceral por município, Estado de São Paulo, 2019.
 
Mais informações:
http://portal.saude.sp.gov.br/resources/ccd/homepage/bepa/edicoes-2020/edicao_204_-_dezembro.pdf


 

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