SUCEN - Superintendência de Controle de Endemias

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Laboratório Especializado de Mogi Guaçu

Laboratório Especializado de Mogi Guaçu: Doença de Chagas

 

PqC Rubens Antonio da Silva

As atividades do Laboratório de doença de Chagas, localizado na cidade de Mogi Guaçu, foram iniciadas em 1963, com o objetivo de conhecer melhor a biologia dos triatomíneos, o agente etiológico da doença de Chagas, realizar xenodiagnósticos e desenvolver pesquisas epidemiológicas e de novas alternativas de controle do vetor. Essas atividades resultaram na ampliação de conhecimentos sobre a ecologia e a epidemiologia dos vetores, orientando a vigilância entomológica realizada no Estado de São Paulo.

 

Na atualidade, o laboratório é designado Laboratório Especializado de Mogi Guaçu: Doença de Chagas e conta com Laboratório de Identificação e Exame de Vetores, Laboratório de Monitoramento da Susceptibilidade e Resistência de Triatomíneos, Insetário com colônias de triatomíneos para fins de pesquisa e ensino e biotério de criação de animais utilizados na manutenção das colônias de triatomíneos. Os triatomíneos podem ser disponibilizados para outros centros de pesquisa visando estudos de biologia e controle do vetor. Conta com 16 espécies de três gêneros de importância epidemiológica que são mantidos em condições controladas de temperatura e umidade. 

 

Além disso, ensaios para monitoramento da susceptibilidade e resistência de triatomíneos aos inseticidas empregados em seu controle, ensaios de  efetividade de produtos; capacitação e aperfeiçoamento de profissionais técnicos da Instituição e dos municípios na identificação, exame e pesquisa entomológica de triatomíneos; investigação de vetores e animais reservatórios na ocorrência de casos agudos da doença de Chagas, bem como na reintrodução bem ou mal sucedida do Triatoma infestans;   estudos sobre a sistemática e taxonomia de triatomíneos; confecção de mostruários utilizados no incentivo à notificação de insetos por parte da população, supervisão indireta, por meio da análise de lâminas de fezes de triatomíneos coradas para o controle de qualidade dos trabalhos de identificação das espécies de tripanossomatídeos são alguns dos trabalhos realizados no laboratório.

 

Insetário de criação de colônias

 

Laboratório Especializado de Mogi Guaçu: Flebotomíneos

PqC Cláudio Casanova

 

O Laboratório de Flebotomíneos foi criado em 1992 com o objetivo de atender às necessidades de incrementar as atividades entomológicas que vinham sendo empregadas no “Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Tegumentar Americana do Estado de São Paulo”. Naquele momento, o laboratório assumiu a identificação de todos flebotomíneos coletados no desenvolvimento do Programa e passou a realizar a capacitação de técnicos e de pessoal de campo da Instituição, para a coleta, armazenamento e triagem de insetos. Estas atividades contribuíram de forma efetiva para a elaboração, em 1997, do relatório técnico “Revisão do Sistema de Vigilância Vetorial da Leishmaniose Tegumentar Americana no Estado de São Paulo” o qual, incluiu uma atualização do conhecimento sobre a distribuição geográfica da fauna flebotomínea do Estado de São Paulo. Ainda, em 1997, o primeiro registro do vetor Lutzomyia longipalpis em área urbana, e o concomitante alerta para o risco de introdução da leishmaniose visceral americana em municípios do estado de São Paulo, ampliaram a ação do laboratório na busca de conhecimentos sobre a biologia e ecologia deste vetor.

 

Atualmente, o laboratório tem como atribuições: - desenvolver pesquisas de campo e laboratoriais sobre biologia, ecologia e sistemática de flebotomíneos; - desenvolver atividades de referência técnico-científica no âmbito dos programas de controle de vetores das leishmanioses; - promover e coordenar atividades de capacitação técnico-científica e de desenvolvimento de recursos humanos na área de atuação; - atuar, em parceria com outros institutos de pesquisa e universidades, no desenvolvimento e viabilização de novas tecnologias para responder às necessidades do controle de vetores. Vem desenvolvendo as seguintes linhas de pesquisa: Dinâmica de populações de insetos; Estudo da capacidade e competência vetorial; Sistemática; Biologia e ecologia de vetores.

 

Seguindo sua vocação inicial, a produção científica do laboratório, nos últimos 10 anos, priorizou a tentativa de elucidar lacunas no conhecimento dos diferentes ciclos de transmissão das leishmanioses. Foram desenvolvidos no laboratório, dois modelos de armadilhas de emersão, que demonstraram ser eficientes na identificação dos criadouros preferenciais destes vetores – principalmente, de Lutzomyia longipalpis - as quais também vem sendo utilizadas por pesquisadores de outras instituições. O emprego destas ferramentas e metodologias de estudo, ajuda no monitoramento e avaliação das medidas de controle que vem sendo utilizadas nos Programas de vigilância e controle dos flebotomíneos.

 

Estudos voltados para o conhecimento da variação sazonal e espacial das populações de flebotomíneos vetores, envolvendo a aplicação de índices que caracterizam uma comunidade ecológica em áreas de transmissão e, ainda, voltados a identificação de espécies crípticas de Lutzomyia longipalpis, constituem exemplos da contribuição da produção científica do laboratório para a avaliação e caracterização de ambientes de risco para a transmissão das leishmanioses.

 

A inserção do laboratório na docência pode ser evidenciada pela participação no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde do Estado de São Paulo. O laboratório também participou do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP e há mais de 10 anos vem orientando aprimorandos, recém formados em curso superior.

 

                

                     Insetário de flebotmíneos                          Amadilha de emersão de flebotomíneos

 

 

Neves, VLFC, Silva RA, Casanova C, Domingos MF, Nogueira SLR, Corrêa FMA. Revisão do Sistema de Vigilância Vetorial da Leishmaniose Tegumentar Americana do Estado de São Paulo. Relatório Técnico. Superintendência de Controle de Endemias –SUCEN 1997.

 

Costa AIP, Casanova C, Rodas LAC, Galati EAB. Atualização da distribuição geográfica e primeiro encontro de Lutzomyia longipalpis em área urbana no Estado de São Paulo, Brasil. Rev Saúde Pública 1997;31(6): 632-633. 

 

Casanova C, Andriguetti MTM, Sampaio SMP, Macoris MLG, Colla-Jaqcques FE, Prado AP. Larval Breeding Sites of Lutzomyia longipalpis (Diptera: Psychodidae) in Visceral Leishmaniasis Endemic Urban Areas in Southeastern Brazil. PLoS Negl Trop Dis. 2013; 7: e2443.

 

Laboratório Especializado de Mogi Guaçu: Carrapatos

Med. Veterinário Celso Eduardo de Souza

 

O laboratório de Carrapatos de Mogi Guaçu iniciou as atividades no ano de 2000. A época a SUCEN tinha a estrutura física dos Laboratórios de Parasitoses por Flagelados, porém somente a partir do ano de 2006, por meio da Portaria SUCEN 11, de 1/2/2006 foram redefinidas as suas atribuições, quais sejam: manter colônias de carrapatos de importância médica; organizar e manter uma coleção cientifica de ixodídeos da fauna brasileira; implantar e promover rotinas de identificação taxonômicas de carrapatos a nível estadual; realizar diagnósticos para detecção de agentes causadores de doenças; desenvolver atividades de pesquisa relacionadas a biologia, à ecologia, à epidemiologia e ao controle de carrapato de importância médica; coordenar e promover atividades de capacitação técnica - cientifica e de desenvolvimento de recursos humanos nesta área de atuação; atuar em parceria com institutos de pesquisa e universidades, buscando à viabilização de novas tecnologias para responder às necessidades de diagnósticos do agente etiológicos e controle dos vetores; emitir pareceres técnicos na área de biologia e controle de carrapatos de interesse em saúde publica; desenvolver técnicas eficientes de coleta, acondicionamento e preservação de carrapatos de vida livre e parasitária em campo.

 

Dentre as principais realizações deste laboratório, desde sua criação, destaca-se o projeto de “Avaliação laboratorial da capivara como hospedeiro amplificador da bactéria Rickettsia rickettsi para carrapatos Amblyomma cajennense” realizado em colaboração com a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia-FMVZ da USP, cujos resultados contribuíram para o entendimento do ciclo epidemiológico da febre maculosa, comprovando que a capivara é o principal hospedeiro amplificador da Rickettsia rickettsi 1.  Esta comprovação, foi de fundamental importância para subsidiar o programa de controle da Febre Maculosa Brasileira no Estado de São Paulo no que diz respeito a classificação de áreas de risco, bem como, nortear as ações de controle da população de capivaras em áreas fechadas.

 

No tocante aos recursos humanos, este laboratório orienta aprimorandos recém-formados em cursos universitários com objetivo de formar novos pesquisadores na área de ecologia, epidemiologia e controle de carrapato de importância médica e febre maculosa.

 

Para atender as novas demandas oriundas das ações empreendidas no Programa de Controle de Carrapatos, adequações tem sido realizadas, como a produção de antígenos de Rickettsia rickettsii, com objetivo de subsidiar a proposta de vigilância sorológica dos animais sentinelas. Nova adequação do espaço do infectório em um biotério de biossegurança nível III para animais de médio e pequeno porte foi implementado. Além disso, este laboratório está participando do  projeto temático “Capivaras, Carrapatos e Febre Maculosa” visando esclarecer as seguintes lacunas: I - Comprovar se a capivara funciona como hospedeiro amplificador da bactéria Rickettsia rickettsii por apenas uma vez em todo o período de vida ou adquire imunidade evitando bacteremia em infecções subsequentes e  II - Testar se a eficiência das capivaras como hospedeiros amplificadores de R. rickettsii são dependentes de cepas, sendo  que  o papel amplificador pode ser mais eficiente quando a cepa da bactéria está mais adaptada às capivaras e à população local de A. cajennense.

 

 

1. Souza CE, Moraes-Filho J, Ogrzewalska M, Uchoa FC, Horta MC, Souza SSL, et al. Experimental infection of capybaras Hydrochoerus hydrochaeris by Rickettsia rickettsii and evaluation of the transmission of the infection to ticks Amblyomma cajennense.Veterinary Parasitology, 2009; 161:116–121.

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