CRATOD - Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas

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Outras Drogas

SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS

COCAÍNA/CRACK

A cocaína (Erythoxylon coca), planta original da América do Sul,pode se apresentar na forma de pó (cloridrato de cocaína), de uma pasta base de coca (Merla, free base), diluída em água (cocaína injetável) e na forma de pedra (crack).
Os diversos sub-produtos da coca diferem no que se refere às vias de administração e tempo de absorção; a cocaína refinada (pó), quando aspirada, em aproximadamente 15 minutos atinge o seu pico de ação e esta dura em torno de 45 minutos; já cocaína fumada atinge o pico de ação entre 10 a 15 segundos, porém o efeito prazeroso desaparece em até 5 minutos o que leva o usuário a ficar dependente com maior rapidez que as forma aspirada.
A "fissura", compulsão ou desejo incontrolável de consumir a droga está mais presente e é avassaladora no crack e na merla pelo fato do desaparecimento rápido do efeito prazeroso e o uso repetido para voltar a sentir o efeito. Além da fissura, outros sinais e sintomas característicos da síndrome de abstinência por cocaína-crack são o aumento da ansiedade, inquietação, irritabilidade, diminuição da concentração, sintomas paranóides e agitação psicomotora.
A cocaína age sobre três pontos do Sistema de Recompensa cerebral : o tronco cerebral, o núcleo-acubens e sobre a região do córtex cerebral pré-frontal, a mais importante de todas.
A paranóia que ocorre com a intensificação do uso da cocaína-crack com a finalidade de aumentar os efeitos prazerosos, provoca muito medo, ansiedade, comportamentos agressivos, em alguns casos delírios e alucinações. Esse quadro é denominado " psicose cocaínica" .
A cocaína-crack tem ação direta sobre o músculo cardíaco, lesionando-o . Outras complicação cardio-vasculares são: Morte súbita, arritimias, miocardites, miocardiopatias, hipertensão arterial,infarto do miocárdio,etc.
Entre as complicações neurológicas decorrentes do uso crônico da cocaína-crack temos: Neurológicas - 25 a 60 % dos acidentes são causados por isquemias.
Complicações Musculares e Renais - Rbadomiólise- lesão no músculo estriado - causa lesões renais, insuficiência renal aguda.
No aparelho respiratório - edemas pulmonares, necrose dos alvéolos, hemorragia pulmonar. Pulmão de crack. Dispnéia, falta de ar, tosse sanguinolenta que pode complicar para uma parada respiratória ou pneumotorax
Obstétrica - Complicações na gestação e parto. Parto prematuro. Complicações respiratórias, baixo peso, "crack babies", agitação. Comportamentos sexuais de risco - Prostituição, DSTs (HIV-AIDS).
Neuropsiquiátricos - danos no funcionamento cerebral principalmente nas regiões orbito frontal, cingulado, ínsula e córtex frontal. O cérebro pode levar de 6 meses a 1 ano para retornar ao nivel do funcionamento anterior, em usuários crônicos. Mesmo após a interrupção o cérebro fica hipofuncionante.
A chegada do crack no Brasil ocorre nos anos 90, nessa época ocorrem as primeiras apreensões em São Paulo e, nessa época, podia-se falar do perfil do usuário como sendo, na maioria, do gênero masculino, adultos jovens, com baixa escolaridade, que estavam desempregados ou em subempregos. Apresentavam um padrão de uso mais grave (intenso), que estavam mais envolvidos com atividades ilegais e a troca de sexo pela droga.
Após duas décadas o uso se disseminou entre as diferentes camadas sociais, bem como surgiram os "subtipos" de usuários, o usuário pesado que consome a droga em longos "binges" , em grupos que se encontram em espaços destinados ao uso (crack houses), que apresentam uma desorganização na condução de suas vidas no que se refere aos relacionamentos interpessoais, trabalho, escolarização, relacionamento familiar; que se evolvem mais em pequenos roubos, alguns trocam o sexo pela droga e fazem uso de outras substâncias psicoativas como álcool, benzodiazepínicos, maconha na expectativa de alívio dos sintomas de abstinência (são os poliusuários).
O usuário mais controlado é outro subtipo; é aquele que se sente no controle do seu consumo, que já se engajaram em algum tipo de tratamento e que não obtiveram sucesso na abstinência, mas aprenderam estratégias de redução do consumo e de danos, já são adultos mais velhos, ganharam alguma autonomia, obedecem a rotinas e mantém relações profissionais mais estáveis. O uso de álcool e maconha ainda está muito presente.

Referências

• Laranjeira R - coordenador - Usuários de Substâncias Psicoativas, Abordagem, Diagnóstico e Tratamento. CREMESP/AMB, 2ª edição 2003
• Laranjeira, R e Marcelo Ribeiro - O tratamento de usuários de crack, INPAD, São Paulo,2009
• CEBRID- Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas-Departamento de Psicobiologia da Unifesp-Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina - Livreto Informativo sobre Drogas Psicotrópicas, OBID, 2003
• Kessler, F e Flávio Pechansky, Uma visão psiquiátrica sobre o fenômeno do crack na atualidade.Rev.Psiquiatria RS,2008,30(2) 96-98.
• Kessler, F. ET AL, Crack - da pedra ao tratamento, Revista da AMRIGS, porto Alegre,54(3): 337-343, jul-set 2010.

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