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(Agência Reuters - 3/08) Cientistas encontram nova supercepa de salmonella

Cientistas encontram nova supercepa de salmonella

LONDRES | Quarta-feira, 3 de agosto de 2011 04h38am

(Reuters) - Cientistas identificaram uma "supercepa" emergente de salmonella altamente resistente ao antibiótico ciprofloxacina, ou Cipro, frequentemente usado para graves infecções de salmonela e temem que ela possa se espalhar pelo mundo.

A cepa, conhecida como S. Kentucky, disseminou-se internacionalmente, com quase 500 casos encontrados na França,  Dinamarca, Inglaterra e País de Gales, no período compreendido entre 2002 e 2008, de acordo com estudo publicado no Journal of Infectious Diseases.

Pesquisadores franceses que lideraram o estudo também examinaram dados provenientes da América do Norte e disseram que relatos de infecção no Canadá e de contaminação de alimentos importados nos Estados Unidos sugerem que a cepa também atingiu esses locais.

O estudo foi publicado na quarta-feira, quando autoridades americanas notificaram um surto em diversos estados de outra cepa de salmonela resistente a antibióticos - chamada S. Heidelberg - que, até o momento, acometeu 77 pessoas e matou uma.

A infecção pela salmonela é um importante problema de saúde pública em todo o mundo. Estima-se que 1,7 milhões de infecções ocorram a cada ano na América do Norte, e mais de 1,6 milhões de casos foram relatados, no período compreendido entre 1999 e 2008 em 27 países europeus.

Embora a maioria das infecções por salmonela produza apenas leve gastrenterite, com dores de estômago, febre e diarréia, idosos ou pessoas com sistemas imunológicos mais fracos estão particularmente em risco de infecções graves, potencialmente fatais.

Esses casos são, normalmente, tratados com medicamentos de uma classe de antibióticos conhecida como fluoroquinonas, que incluem o medicamento mais comumente usado, que é a ciprofloxacina. O Cipro foi originalmente desenvolvido pela Bayer e atualmente está disponível sob a forma de genérico.

Como acontece, porém, com muitas bactérias, cepas multi-droga resistentes, ou "supercepas" - também referidas como "superbactérias" - de salmonela se desenvolveram a medida em que a bactéria encontra novas formas de superar os medicamentos, as tais cepas podem se disseminar através dos alimentos ou de pessoa para pessoa.

O estudo, liderado pelos pesquisadores franceses François-Xavier e Simon Le Hello, do Instituto Pasteur, examinou dados provenientes da vigilância de países europeus e dos Estados Unidos, e encontrou 489 casos relatados da supercepa S. Kentucky. O número de casos aumentou, ano após ano, dos primeiros 3 casos, em 2002, até 174 casos, em 2008.

Os pesquisadores relatam que as primeiras infecções pareciam ter sido contraídas, em sua maioria, no Egito, no período entre 2002 e 2005, porém, desde 2006, as infecções também foram registradas em diversas partes da África e do Oriente Médio.

"O fato de que 10% dos pacientes não relatam ter feito viagens internacionais sugere que as infecções podem também ter ocorrido na Europa, através do consumo de alimentos importados contaminados ou através de contaminação secundária", escrevem os autores.

Como parte do estudo, a cepa S.Kentucky, também multi-droga resistente, foi isolada em frangos e perus da Etiópia, do Marrocos e da Nigéria, sugerindo que "as aves são importantes agentes de infecção", dizem os pesquisadores, acrescentando que o uso habitual da fluoroquinona como antibiótico na produção de frangos e perus na Nigéria e no Marrocos "pode ter contribuído para essa rápida disseminação".

Os autores dizem que o estudo salienta a importância da vigilância em saúde pública em um sistema alimentar globalizado.

"Esperamos que esta publicação contribua para aumentar a conscientização entre autoridades nacionais e internacionais, dos setores de alimentos e agricultura, para que tomem as medidas necessárias para controlar e deter a disseminação desta cepa antes que se dissemine para todo o mundo", dizem os pesquisadores.

 (Reportagem de Kate Kelland; Edição de Janet Lawrence)

Fonte: Reuters

http://www.reuters.com/article/2011/08/03/us-salmonella-superbug-idUSTRE7721JQ20110803?feedType=nl&feedName=ushealth1100

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